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sexta-feira, 20 de novembro de 2009

A questão do Ágape - Amor e fraternidade cristã



O que é “Ágape”?

Ágape é uma das palavras gregas para o amor, esta palavra indica nas escrituras sagradas também para o banquete fraternal; no século II Plínio passou a anunciar a santa ceia sem o ágape, tal pensamento foi ainda reforçado por Cipriano, desde esta época tal demonstração de fraternidade começou ser deixada de lado. Os cristãos primitivos tinham por costume realizar refeições comunitárias, onde a igreja cristã se unia. Cumpria-se a risca os mandamentos de Nosso Senhor Jesus quanto o cuidado do pobre e necessitado, o diácono os escolhia e convidava; durante este ato de fraternidade a igreja tinha a oportunidade de manter melhor comunhão, não somente espiritual, como fraternal, pois havia melhor contato dentre os membros do corpo de Cristo. As pessoas literalmente usavam de amor, cuidando ainda dos mais pobres, sentando-se com eles em condições de igualdade e demonstração de amor ao próximo; em Judas 1.12 a refeição fraternal é chamada “vossas festas de amor” ou “banquetes de caridade”.
O Ágape era realizado numa mesa, iniciado com uma benção, onde se comia com disciplina, evitando razão de escândalo e queda (1 Cor 11) sendo encerrado com a lavagem de mãos e um cântico de ação de graças, acerca dele falou Tertuliano na apologética sobre clima dessas reuniões: “Nelas come-se a quantidade da sua fome. Bebe-se o quanto convém a pessoas sóbrias. Sacia-se o apetite como homens que, mesmo à noite, lembram-se que devem adorar a Deus. Conversa-se como homens que sabem que Deus escuta.” Infelizmente esta demonstração de fraternidade cristã tem sido deixada de lado pela maioria das igrejas, que preferem evitar “gastos” e manter apenas uma suposta comunhão espiritual, onde não há comunhão fraternal, sendo possível que muitos de seus membros permaneçam na mesma igreja, sem conhecerem-se, mantendo uma comunhão superficial que na maioria das vezes não passa de uma saudação.
As primeiras igrejas reuniam-se quase sempre nas casas de seus membros, mantendo maior fraternidade, ou seja, havia alem da comunhão espiritual a comunhão fraternal, vivendo como uma família acolhedora, onde todos se conheciam – Atos 2.46 E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam com alegria e singeleza de coração... Os ágapes eram verdadeiras lições de amor e exemplo para os cristãos e para os de fora - “Depois cada um vai embora, não como bando de assassinos, ou grupo de vagabundos, ou turma de libertinos, mas com o mesmo cuidado da modéstia e do pudor, como pessoas que à mesa mais do que comida tomaram uma lição.” Tertuliano, Apologético 39.
“Organizava-se dentre os presentes aqueles que levariam do que fora recolhido para as pessoas indicadas, sobretudo às viúvas. Este mantimento deveria ser entregue, de preferência, ainda no mesmo dia. Se a pessoa esperasse até o outro dia, deveria acrescentar mais algo seu, pois reteu em sua casa “o pão dos pobres”. (Hipólito, Tradição Apostólica 62.14-15).
A pratica do ágape dava ainda condições à igreja de praticar a hospitalidade, era comum também que irmãos ou ministros em viagem pudessem contar com tal hospitalidade, até o século III o tamanho das igrejas ficava na media de 60 pessoas, conheciam-se uns aos outros e as necessidades dos seus membros eram conhecidas, após tal século começaram surgir “templos”, numa analise mais profunda ate os dias atuais, verificamos que por esta época a comunhão fraternal começou ser deixada de lado, começando sumir da igreja cristã, infelizmente muitas igrejas alegam toda espécie de motivos para evitar esta pratica!
“1Jo 1:7 - mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros...”

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Não é legítimo, da parte do bispo, nem batizar nem celebrar uma festa de amor (ágape). Ignácio (105 d.C.)

Um ágape realmente é um alimento celestial, um banquete espiritual: “Tudo o sofre, tudo o suporta, tudo o espera; o amor jamais decai.” Sobre este amor se fundamenta toda a lei e Cristo. E se ama ao Senhor teu Deus e a teu próximo, este é o verdadeiro banquete que se celebra nos céus, enquanto o banquete do mundo se lhe chama jantar, como o mostra a Escritura, já que o banquete tem como celular o amor, mas o jantar não é caridade; é somente uma demonstração de uma generosa e comunitária benevolência. Clemente de Alexandria (195 d.C.)

Já que se é o amor que nos congrega para comer, o objetivo dos banquetes é o intercâmbio amistoso entre os concorrentes, e a comida e a bebida são meros acompanhantes do amor, Como não vamos comportar racionalmente? Clemente de Alexandria (195 d.C.)

Mas seu mesmo nome mostra o que são nossos jantares, pois se chamam ágapes, que significa em grego “amor.” Tudo o que nelas se gasta, é em nome e em benefício da caridade, já que com tais refrigérios ajudamos aos indigentes de toda sorte, não aos jactanciosos parasitas que se dão entre vocês... Considerem o ordem que nelas se segue, para que vejam seu caráter piedoso: não se admite nelas nada vil ou contrário à temperança. Ninguém se senta à mesa sem ter antes agradado uma oração a Deus. Come-se o que convém para saciar a fome; bebe-se o que convém a homens modestos. Saciam-se tendo apresente que inclusive durante a noite têm de adorar a Deus, e falam tendo apresente que seu Senhor lhes ouve. Tertuliano (197 d.C.)

Nossos banquetes não só são honestos, senão também sóbrios, pois não nos excedemos na comida nem prolongamos os banquetes bebendo vinho sem mistura, senão que moderamos a alegria com gravidade, por meio de uma conversa casta e de um corpo ainda mais casto. Marco Minucio Félix (200 d.C.)
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